terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Billie H. Também Pediu Carona

Subindo a Afonso Pena Avenue
Subindo a Ladeira do Morro do Morrinhos Boulevard
Indo para cima da Serra do Rola-Moça Mountain
Levando Ella
Ella Fitzgerald um pouco gor- uf ! uf ! -dinha
Na minha bicicletinha           Na cestinha
Poderia usar uma bicicleta cargueira
Mas não iria ter muito charme o caminho
É summertime no tempo de verão
E eu a levo
E ela leve leve canta
Flores brilhando o sol
E dando frutos no asfalto
Borboletas industriais
E pardais operários
Vão ao trabalho
E eu
Faço minha terapia desocupacional




                                                                                                               Toninho Araújo

Espelhamento de Lagos

O psi vai à galeria
Ver as artes ele quer
Robertólogo logo vê
Depois de anda aqui, olha ali
Um quadro que o faz sentir
Uma pintura que o é
Deve ser o que a maga bruxa
Raquel dos Cristais previu
'Você vai se encontrar'
Robert fica leve, um pires no ar
Compra logo seu auto próprio retrato
Que ele mesmo mesmo se pintou
E para levar para casa
Tão grande arte
Ajudante um só não bastou
E vários Narcisos vindos
De lagos e espelhos multiplicados
Carregaram o próprio ele, ele mesmo se levado





                                                                                      
                                                                            
                                                                             




                                                                      Toninho Araújo
                              Prestidigitador de imagens, sons e palavras
                                                                            

Do nada ao risco (ou poema de amor sem risco algum)


O desejo dos tímidos
é qualquer coisa
que não é amor,
senão explodiria.

Porque amor, pra ser o que é,
explode.

Ele sempre se dá,
ainda que não seja retornado.

É compreensão
e também o desejo
da posse. Mas se não há a manifestação do desejo,
o que é?

Ilusão paupérrima,
penúria da alma.

O sujeito implode
e recolhe ruínas silenciosamente.

O que não ama está morto.
Mantém os olhos fechados
pras maravilhas
e também pro que é mesquinho e feio.
É seguro. A morte é segura.

Hoje urge amar alguma coisa.
Ou pessoa.
Hoje urge amar ao máximo, ao limite.
Mesmo o lugar-comum destas palavras.

Vida é risco.
E assim é melhor.
Por isso rabisco lugares-comuns no papel
e vou do nada ao risco.

Também assumo a importância
de retornar do risco ao nada.
Pra tomar fôlego.
Pra seguir com o espetáculo.
Dia após noite, noite após dia.

Hoje urge amar.

Alessandro de Paula
@palavratomica



Comemorando um mês de Coletivo. 

Parabéns a todos nós, que não deixamos a Poesia num leito de hospital, respirando por aparelhos. 

Fazemos da Poesia esta bela moça, cheia de encantos, saudável, atlética, capaz de vencer uma maratona, ganhar uma medalha olímpica. 

Isto se chama revolução. E prossegue em curso.

Que os outros meses sejam ricos como foi este que passou. 

Beijos e abraços revolucionários,  queridos amigos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Rosa Flor (Para Francisco Xavier Neto)


No solo azul
Da nossa amizade
Plantei...
Roseira flor
Exalando saudade
Brotou.
Tempo sem céu,
Sertão sem cor,
Floração
Do solo azul
Da nossa amizade
Teimou.
Uma rosa flor
Colhi para teu
Coração...

                                                                  Mara Medeiros

domingo, 18 de dezembro de 2011

Amorperfeito




Olhar infrene
Busca, não impunemente,
O céu das horas vazias

Peito acelerado,
Percorre espaços vãos, obtusos,
Em ritmo desgovernado.

Mão ligeira
Entre lentidão e pressa,
Entre traços e pontos.

Hífen deposto
No meu dizer descometido
Que rouba o traço do conforto,

Para mais ainda ajuntar,
Sem espaço qualquer,
A distância hifenizada

Que deveria manter-se
Segura e confortável,
Na palavra amorperfeito.


                                                                      Mara Medeiros

sábado, 17 de dezembro de 2011

Isso que ouso querer





Pro meu sentir
Quero palavras
Pro meu amar
Quero morada
Pro meu lugar
Quero estada
Pro meu sonhar
Quero estar acordada...


Lai Paiva










(James Jean)

Destoantes de Si Mesmos




A fome da solidão
É sina num mundo
Que acontece ao esquecimento

À sombra da ausência
Despedaços das vidas
Que foram embora sem colheita

Calam nas ruas, nossos poetas
Em meio às gentes feitas
De perdição que lhes entrega dores

E profanam os amores, vão fugitivos
Que caminham à beira do sufoco
Olham para a chuva que não ameniza seu choro



O Menino da Nota Verde

Ele está solto
 Ele não tem amarras
  --Tá amarrado!
   Em nome dele mesmo
    Chuta, pula, anda
     Brinca com o gato, brinca com a comida
      Sério com a fome no mundo
       Pedaço na boca do cão
        Pedaço que sobra, na sua
         De carrinho, faz rallie no quintal, Davy
          O mundo é dele
           A terra também --tibum! Cara no chão
            Choro não, riso sim
             Menino equilibrado --cai pra frente, cai pra trás
              Davy baby gosta da máquina
               Motocicleta, automóvel, bicicleta
                Gostam do baby Davy, querem todos pegar
                 Futuras mães meninas, passadas mães vovós
                  Ele é alegria, o orgulho da família
                   Vejam só, pegou o dinheiro e vai rasgar
                    ...! Pega! Toma!
                    Corre aqui, corre acolá
                   Hippie Davy, o cabeludo guri, mostra seu desprezo pelo material
                  A nota pela flor
                 Oh, tristeza, comoção!
                O pequeno pequerrucho rasga dinheiro
              Que ningúem fique sabendo
             Agora só falta aparecer
            [Santa heresia]
           Um parente que faz poesia





                                                                                                 Toninho Araújo

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Marespalha

Mara acha que tem toc
Maratoc
Acho que toc Mara tem
Toc-toc
Mara anda toc-toc
Em cima do salto
Olh'ela lá, ela evem
Marapensa que tem toc
Toc-toc
Toc Mara tem
Toca música em palavra e letra
Espalhando
Toc-toc
Pode abrir
Elandarilha do bem




                                                                               
                                                                                  Mara é a Mara Macrimed, deste Coletivo
                                                                                              

                                                                                                 Toninho Araújo