domingo, 26 de fevereiro de 2012

Festa



Esparramei versos
Sobre a folha em branco
De um velho caderno
Aos poucos
Aproximaram-se
Entrelaçaram-se
Dançaram e cantaram
Derramei sobre eles
Minha taça de sonhos.
Promíscuos,
Ajuntaram-se
Íntimos, cúmplices, torpes
E se foram
Embriagados
Deixando rastros -
Poemas inacabados

Mara Medeiros

(Re)Volta



Queria alcançar o céu
Abraçar o mundo
Tragar o oceano

Pés pesados
Braços curtos
Pequenos pulmões

Alcanço, abraço e trago
A mim mesma...

Mara Medeiros

Monólogo Madrugal

Psiu: preciso que saiba o que fazer.
E que seja no momento adequado.
Não pretendo ser compreendido, mas gostaria de uma dose de respeito.
O orvalho das madrugadas já adoçou muitas insônias.
O calor das esperanças não se dissipou facilmente.
Ainda espero.
Talvez eu nunca aprenda.


Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Vida Por Trás das Palavras é o Cotidiano do Nosso Reflexo



Sejamos fortes, mas não de pedra.
Sejamos nós, mas não somente.
Sejamos vós, mas também deles.
Sejamos o vento, mas assim voando.
Sejamos paz, mas paz em tudo.
Sejamos lágrimas, mas de felicidade
Sejamos alegria, mas um do outro.
Sejamos o céu, mas o da liberdade
Sejamos o amor, mas por completo.
Seja você, mas seja os outros.

Andres S.A @AndresAraujo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Apenas dos Olhares Dela


À beira daquele lago, no entorno daquelas árvores, misturada àquela ventania suave, havia uma pequena casa de paredes azuis, claras e sólidas, espessas. Uma varanda acolhia uma rede amarela e pequenos vasos com cactos e begônias. Cortinas esvoaçantes pareciam dançar conforme a melodia que o vento trazia. E eram de um branco puro, da mesma tonalidade do grande tapete felpudo estendido no meio da sala. Os sofás, dois em sua totalidade, estampavam pequenas e discretas margaridas. Apenas um quarto, com uma cama confortavelmente espaçosa e convidativa. Com lençóis e travesseiros cheirando sutilmente a erva doce. Na cozinha, uma mesa pequena, com quatro lugares que talvez nunca tivessem sido ocupados, mas que sempre estavam prontos a receber a presença de alguém. Ao menos de mais uma pessoa.
Aquela casa tinha uma leveza melancólica e era sonante. Uma música inebriante sempre invadia cada cômodo com a propriedade de conhecer cada espaço, cada fresta.
Não havia vizinhos, embora pudesse ver uma ou outra pessoa caminhar bem próximo ao lago, consequentemente nas redondezas da casa. Mas na maior parte do tempo só se viam apenas pássaros, borboletas, flores, árvores, o lago e a terra firme. E apenas uma pessoa. Beatriz era o seu nome.
Era uma jovem de pouco mais de trinta anos, morena clara, de cabelos curtos, nem tão lisos, nem tão ondulados, abaixo do queixo, com uma franja mediana, caída lateralmente em seu rosto de maças rosadas, lábios úmidos e olhos castanhos médios, com cílios longos a realçar o brilho que por vezes se explicitava.
Nunca fora vista acompanhada, mas sempre deixou dúvidas se realmente morava só naquele lugar e se recebia ou não algum convidado, ou convidada, ou mais de um, ou mais de uma.
Podia-se ver a mesa posta com capricho. Pela manhã, no meio da tarde e à noite. Frutas, bolos, chás, café, sucos, queijos, leite, geléias, torradas, bolachas. E louças e talheres aos pares, o que conotava que recebia alguém. Ao menos uma pessoa. Era o que podia ser visto ao olhar através das suas janelas ou da porta vez ou outra deixada aberta.
A verdade era que Beatriz não estava só. E estava na companhia daquele que lhe fazia amanhecer mais bonita a cada manhã. Tom era o seu nome. E era para ele cada carinho que imprimia nas refeições que preparava e na arrumação de cada cômodo da casa. Ela adorava cozinhar para ele e ver sua expressão de prazer ao degustar cada porção do que havia preparado. Ele sorria ao beber e comer, como se aquilo lhe fosse acarinhando por dentro, à medida que ia sendo ingerido. E era para ela um contentamento impagável observá-lo. Às vezes, ela mal comia ou bebia, para não desviar os olhos dele. Não queria perder um instante sequer daquele momento.
Ao entardecer costumavam encontrar o abraço um do outro sob o tapete da sala, abaixo das cobertas, com os corações batendo próximos um do outro e os arrepios de um encaixando nos arrepios do outro. Amavam-se ali, com o tempo pausado, os sentidos aguçados, a paixão enaltecida. Desnudavam-se de qualquer intervenção alheia, ainda que fosse o canto dos pássaros. O único som era o de suas respirações ofegantes, o único cheiro era de suas intimidades, o único sabor era a mistura de um e do outro.
Ela conhecia cada parte dele como se fossem partes de si mesma. Ele sempre estivera ali, ainda que nunca tenha sido visto pelos que eram atraídos pela beleza daquele lugar que Tom e Beatriz tinham como seu.
Ela nunca estivera sem ele. Desde que o encontrou pela primeira vez, nunca mais o deixou partir.
Vestia-se para ele com a mesma desenvoltura e afinco com que se despia. Ele conhecia seus segredos, desvendava seu silêncio, decifrava seus olhares. Eles falavam o que o outro queria ouvir antes que desejassem. E tocavam-se exatamente onde queriam e como queriam.
O tocar de seus lábios era preciso. Intenso, ousado, mais íntimo que qualquer outro toque. Pareciam morrer e nascer várias vezes nos beijos um do outro. E parecia impossível desviarem-se dali, pois era naquele instante que a felicidade se mostrava palpável, ao menos pra eles, ao menos pra ela.
Talvez não fosse real. Talvez fosse insano viver algo que não vive. Talvez Beatriz estivesse a amar-se só. Talvez não. Entre o sim e o não havia tanto sentir. Quem lhe tomaria aqueles dias deles, que ela tão certa os tinha seus?
Tom era dela. Dos olhares dela. E era lindo pra ela. De uma beleza que jamais viu igual. Isso bastava-lhe. De fato não desejava que outros olhares pousassem nele. E o descobrissem tal qual o via. Perfeito. Maravilhoso. Improvável.
Sim, improvável que ele fosse real. Mas, como pra ela a realidade era sempre fruto da sua imaginação e esta se deixava ir conforme seus desejos a guiavam, aquilo que tocava era aquilo que podia ser tocado porque era de verdade.
E a verdade era que eles sempre estiveram ali, sob os olhares dela. Apenas sob os dela...

Lai Paiva

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

XXXIII




andei na fraqueza esquecido
conheci leis que não pude entender
à espera dos dias voltei-me
por aprender com os passos regressos
saudades de invadir os atalhos
uma ânsia não ter ar na abertura do sonho
fico ali tecendo grafismos meus de vôos de pássaros
faço no coração o numerário antigo que fui
e levo a vontade de saber do desejo que tive
conservo por dentro o meu caminho no fim




Álbum de casamento

                                                                by Google imagens


Mãe, quem é esta aqui?
Ah.. É a filha de dona Carmen, hoje ela mora em São Paulo.
E este?
Qual?
Este aqui!
É seu tio, Ana!
Tio?
Tio Walter, do Araçuaí.
Hum...
Mãe,
esta aqui não é Janete?
É.. É sim. Tá novinha, né?
E quem é este que tá abraçando ela?
Era um namorado dela, não lembro o nome dele...
Namorado? Mas ela não gosta de... Mulher?
É... Ana, mas... Nem sempre foi assim...
Manhê...
Oi...
E estes dois aqui? De mãos dadas... Eles se casaram?
Sim, se casaram sim, mas já se divorciaram.
Hum...
Oh mãe,
quem é este altão aqui?
Não aponta menina!
Oras, mas por quê?
Ele já faleceu! Faz mal.. Fecha este álbum, vai!
Faz mal? Por que faz mal?
Ahh... Faz mal Ana.
Faz mal como?
Não é bom filha...
Mas por quê? O quê que acontece?
Ahhhh Ana!!! faz mal. Não sei... Faz mal! Não é bom apontar para pessoas mortas...
Mas mãe, por quê? Alguma pode vir do além? (risos)
Não Ana! Só
não
é bom!
Não é bom pra quem, pra mim ou pra pessoa?
AHHHH.. NÃO SEI!!! NÃO SEI, ORAS!!! Você faz muitas perguntas!!!






Tankinho

Vou Passear pela rua
Passar pelos passeios nas extensões das avenidas
Vou andar, bicicletar, correr
Discretamente, como quem respira o ar gentil das praças e dos parques
Discretamente exibirei minha barriga
Minha barriga tanquinho
Meu abdômen que parece de plástico
Que eu quero que achem que é de aço
Minha barriga que as lavadeiras quererão bater roupa
Batendo papo cantando
Limpando as roupas, os panos
Minhas amigas quererão saber se é de mármore, granito
Passarão a mão curiosas na superfície
Perguntarão: E isto, fundinho, é o umbigo?
Meu abdome, que serve para batucada
Também servirá, sinfônico, como fibrafone
Ao som do sol dos ais das fãs



  Toninho Araújo

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Shock

Vou entrar no carro, estendo a mão; abrir a porta
Chocante! Levo uma descarga elétrica
O dia passa; Vou sair do veículo
A eletricidade quer entrar no meu corpo
Choquei !
Vezes tem que aparecem faíscas :
Poderia eu ser o novo Prometeu, caso o carro fosse ao passado
Do mesmo jeito, poderia levar o fogo perdido
 à minha tribo, de volta, homem das cavernas
 em meu veículo de idade jurássica
Fosse Prometeu, teria meu automóvel eternamente comido pelas águias 
E ele se auto lanternaria, se auto funilaria
Gerando energia, não ficarei estático
Sairei pelo mundo a energizar
No fundo escuro das florestas
No alto claro das dunas do deserto
Televisões serão ligadas
Lançadores de mísseis atômicos, da guerra fria
 acordarão de seu sono tépido
Apontados
Neste momento ninguém ousará perguntar \ brincar
 se darei a luz
A resposta seria rápida como faísca
E explosiva




  Toninho Araújo

Mudo


Fotografia: Mara Cristina Medeiros


Silêncio
Preciso gritar o pensamento
Ele grita transgressão
E pede ao tempo para ouvir

Silêncio
Preciso que o tempo pare para ouvir
Meu pensamento gritante
Mas o mundo não para

Silêncio
Preciso ser capturada
E tem coisas que não consigo escutar mais
Minha idéia quer trocar de roupa

Silêncio
Quero, preciso, desejo
Gritar o tempo
Pensar o grito
E o risco é inerente...


Mara Cristina Medeiros
@MaraMacrimed

O poeta é verdadeiro

poet pic- Google imagens



O poeta é verdadeiro
e por ser tão verdadeiro
sabe porque dói tanto sê-lo.

Haikai de amor posto à prova

O amor não remi seus pecados.
Não reme
venha a nado.




Óleo sobre tela: "Hero e Leandro" - (Mitologia grega)
William Etty - 1787-1849 - Nova York  - EUA

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Sucesso Não Acontece Por Acaso

Estou no Twitter, todos me seguem
Estou twittando, agora vou ser popular
Sou um sucesso, não tenho mais cobradores
Todo dia uma criança lá, pede: - Papai, vem me registrar!
Todo dia, ruiva, loura, morena, twitta sem parar
Me chama de lindinho, fofo, totoso
Doidinha para emgravidar.
E eu nem sou boleiro, pagodeiro ou lutador porradeiro
Entrei no partido, meu país quis ajudar
Meus eleitores, gente de bem
Estão sempre seguindo a esperar
Eu promessas mais faço, eles querendo, se precisar
Prometo rios de mel, dentadura, asfalto, botina
Os levo até o paraíso de Alah
Manter a sociedade funcionando
O dinheiro circulando
Até guardar um pouco para mim
Para distribuir, se necessitar
Tanta gente que abre portas, desempede caminhos
Põe a máquina a funcionar
Gente de mala vazia.
Vou continuar no twitter
Quando achar que são poucos os que estão me seguindo
Contrato uns parentes como acessores
Para não ficarem a toa
Vão me seguir virtual
Aonde eu estiver indo





   Toninho Araújo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lei Inscrita na Ausência

"Céu Suspenso", por Leonardo Valesi Valente (2008)




Ninguém há
que deva
responder
aos meus apelos

Não sou um outro
que deva
seguir
seus impedimentos

Somos livres
a caminho
dos nossos
próprios desígnios

Temos nos passos
uma presença
do que nos fazemos
ser únicos

Encontro-me diante
do outro
por quem me perco
sem ver a reta

Desloco o meu partido
volto-me para um abismo
e tenho no escuro
todos os gritos de medo

Acalmo por dentro
escolho refazer a lei
inscrevo-me
no devido espaço que tenho

Sou meu guia
que destemido
preciso me levar
no dia quando decidi por mim

Caminho no percalço
das lástimas
que me detive tão ferino
encontro um outro olhar

Sei me ter no porvir
acompanho os gestos que fiz de mim
entrego-me leveza
atribuo ao mundo meu distanciamento




Crenças

Seria sensato viver um conto de fadas?
Acho pouco provável.
Sou, sim, daqueles que acreditam que tudo é possível.
Acredito que o amor é positivo, mas, problemas à parte, a minha vida é bem minha.
Como também acredito que, resultados, só podem ser provenientes de uma lei máxima de esforço.
Não gosto de coisas fáceis.
A facilidade é deprimente.
Prefiro tudo o que exige o labor, pois este saboreia as vitórias.
E não tenho a menor vontade de comprar pedaços de vida prontos, gosto de assá-los à minha própria maneira: nada de caixinhas congeladas, ou sachês indigestos.
Gosto de resultados concretos.
Posso até parecer um maluco, mas é o que gosto.
Agora, se outras pessoas preferem menos... não sabem o que estão perdendo: tem um mundo todo de transformações lá fora, basta amarrá-lo aos desejos, que certamente será bem mais saboroso!


Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Calor de abraço

Me dá um abraço?
Só quero sentir o seu calor, sentir seu cheiro.
Quero escutar as batidas do seu coração.
Tenho a necessidade de te perceber perto.
Me deixe segurar tuas mãos.
Sabe, no final das contas, eu percebo que é como se nunca tivesses partido.
Nada mudou. Nada aconteceu. Apenas pisquei os olhos, mas sei que não terei você de novo.
Dá-me um sorriso, neste sonho.
Acalenta-me a insegurança e nutre com este ar fraterno todos os meus desejos...




Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

A minha festa

Michael Parkes, The Rainbow Sphinx (1990). 
Outros trabalhos deste excelente artista aqui.

Você, es finge,
na confusão,
do seu tempo,
da sua morte,
da sua chaga,
não poderia me entender.

Você decifrou,
devorou. (não)

E não ficou pra o melhor da minha festa.

Alessandro de Paula
@palavratomica

Isso é tão eles.


Sabe... foram tantos “eus” em tantos “nós” que hoje eu nem sei...

Sabe... hoje somos tantos, somos quase tudo... 

Sabe... você, eu, ele...
Sabe... que hoje não sei, deixei ir e você levou.
Sabe... quando nos vemos e realmente nos vemos e estamos?
Então... que bom que você realmente sabe...

Que diante disso tudo, somos todos nós.

Andres S.A @AndresAraujo

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Céu que me sustenta (Para Leonardo Valesi Valente)

Imagem: "Paraíso", Leonardo Valesi Valente (2007). In: O Sustento do Céu

Voos altos e rasantes
Lanço-me no céu azul
- Infinitude -
Onde tudo se abstrai
Oceanos de nuvens
Ondas espumantes
Em mar alto
No céu alto
Mergulho em mim
É silêncio que me fala
Daquilo que calo
Enquanto voo
Linhas cruzam o mar
No céu levam para além
Laços em fios de cobre
Verbo e luz
Exuberância azul
Nadam neste mar
O verde e o sol
Sem fronteiras
Sem peias
Neste céu onde revoo
Nado a vida inteira
Entre sonhos e sonhos
Eu sonho
Segura de mim

                                                                Mara Medeiros

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tempo Inquieto



o vento veio me dizer
tocar à pele de corredeira e rasante
quis trazer alívio
e me mostrou
num movimento descontínuo
que ao redor há voltas e descidas
e a vida não se destina de saber
o ventou me disse tanto
retive o assopro no momento
me transbordei
com ele alento
e vivi.
as dores, deixei caladas
o ritmo, refiz de cortejo-ventania



Sir libre



I. O grilo gigante

Desfaço-me do grilhão e
do grilão, agora já distante,
aquele grilo gigante.

Daquele trem em maus trilhos,
mal cheio de zoom bees bees
como eu era.

Aquilo que me causou tanta dor de cabeça.

Aquele calor dessuportável,
que suportava com sacrifício
e sem vontade.

Sou livre e sou livro.

II. Outros voos

Quero mil livros
e um milhão de livres espíritos.
Ajeite-os em sua sacolinha biodegradável
para que sejam libertados
na relva do campo
e saiam voando em agradáveis voos.

III. Copidesque

Agora tempo tenho pra pensar,
a despeito das ligações químicas que pululam
das páginas do original do livro que copidesco.
Dá-me um desconto, quero versos
que sejam da minha escola.

IV. She's leaving home

Agora escolho,
não é luxo.
E quero dar escolha.

Você que eu beijo,
fique livre para ir e vir.
Fique livre para ir sem dizer a deus.

Vá livre ou fique livremente.

V. Os sabores

Com ou sem paz,
poeto doce,
amargo,
azedo ou salgado,
mas sou livre do grilhão
e poeto.

Alessandro de Paula
@palavratomica

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Antichristo

Me pergunta Marden, meio luso companheiro
De onde vem a água que bebo
À mesa estamos, é noite
À noite celebramos a vida
O que bebo vem do vinho amigo
Corpo líquido de espíritos
Que nos dá alegria, prazer
Dele faço o que posso
Tinto, branco, espumante, rosé
O transformo em transparente água de viver
Faço o que posso por enquanto
Empresto depois àquele carpinteiro, o Christo
Motoqueiro de camelos, de idéias comunistas
Minha idéia, minha técnica
E ele pode até fazer o contrário, o inverso
Pode brilhar até em festa de casamento
Impressionar Pedro, Judas e Madalena
Espichar o olho de Tomé
Também a boca de Maria mais José
- Pode tornar água em vinho -
Abrir franquias no deserto
Este menino vai longe
Eu é que deveria ser menos modesto




      Toninho Araújo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Nas Horas



Tal qual noite
Anoiteço apaixonada
Tal qual dia
Amanheço amando
Tal qual tarde
Entardeço saudosa
Tal qual madrugada
Madrugo sentindo tudo de novo...

Lai Paiva