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domingo, 25 de março de 2012

É hoje!


No Twitter. Das 19 às 21h.

Amigos poetas e interessados em poesia participem ou acompanhem o sarau. Para isso, sempre use a tag #SarauRevolucionário.

Para participar, é necessário ter conta no Twitter e, a cada verso que postar, teclar a tag #SarauRevolucionário.

Quem não tiver conta e quiser acompanhar, não tem erro: basta ir ao Twitter e teclar #SarauRevolucionário na ferramenta de busca. Assim você estará acompanhando O Sarau das Descoisas!  

  

quarta-feira, 14 de março de 2012

Com o verso


Poderia dizer que no berço fazia versos.
Poderia, mas mentira seria.
Os versos não nasceram comigo:
Nasci sem roupas nem palavras,
emitia primitivos grunhidos de bebê
que nem de longe lembravam versos.

Estes me foram apresentados
e novamente mentiria se lembrasse
quando e por quem.
Estavam lá e onde eu também estava.

Não me causaram efeito imediato.

Mas um dia, cansado já de saber que
existiam,
percebi que poderia fazer do verso ponte
entre eu e você e todo mundo além.
Gostei. Você gostou também.
Acredito que as pessoas mais afáveis
não consideraram a experiência
desagradável.

Assim sou e estou: o poeta enfim nascido
com o verso ao lado;
com o tempo, seu fado, que está contra ele
porque faz o único caminho possível
para o dia ou noite em que irá desaparecer.

Iletrado nasci, poeta não.
O ser da palavra que me fiz, este sim,
brincava com os versos em seu berço.

Outra dinâmica minha extinção possui:
morta a pessoa, o poeta é morto.
Carregará consigo um verso derradeiro
nas pontas de grossos e já frios dedos
e nos olhos de quem o leu.

Alessandro de Paula
@palavratomica

sábado, 3 de março de 2012

Em março, haverá poesia novamente.

Para ampliar, clique sobre a imagem.

Em breve, mais informações sobre o evento. Mas, de antemão, contamos com a participação de todos. É fácil: basta ter uma conta no Twitter e postar seus poemas originais usando a hashtag #SarauRevolucionário durante o evento.

Saudações dos poetas deste coletivo aos amigos leitores!

Coletivo Revolucionário 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A minha festa

Michael Parkes, The Rainbow Sphinx (1990). 
Outros trabalhos deste excelente artista aqui.

Você, es finge,
na confusão,
do seu tempo,
da sua morte,
da sua chaga,
não poderia me entender.

Você decifrou,
devorou. (não)

E não ficou pra o melhor da minha festa.

Alessandro de Paula
@palavratomica

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sir libre



I. O grilo gigante

Desfaço-me do grilhão e
do grilão, agora já distante,
aquele grilo gigante.

Daquele trem em maus trilhos,
mal cheio de zoom bees bees
como eu era.

Aquilo que me causou tanta dor de cabeça.

Aquele calor dessuportável,
que suportava com sacrifício
e sem vontade.

Sou livre e sou livro.

II. Outros voos

Quero mil livros
e um milhão de livres espíritos.
Ajeite-os em sua sacolinha biodegradável
para que sejam libertados
na relva do campo
e saiam voando em agradáveis voos.

III. Copidesque

Agora tempo tenho pra pensar,
a despeito das ligações químicas que pululam
das páginas do original do livro que copidesco.
Dá-me um desconto, quero versos
que sejam da minha escola.

IV. She's leaving home

Agora escolho,
não é luxo.
E quero dar escolha.

Você que eu beijo,
fique livre para ir e vir.
Fique livre para ir sem dizer a deus.

Vá livre ou fique livremente.

V. Os sabores

Com ou sem paz,
poeto doce,
amargo,
azedo ou salgado,
mas sou livre do grilhão
e poeto.

Alessandro de Paula
@palavratomica

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A era do outro


Alessandro de Paula
@palavratomica

Dinâmica


muda por inquietude, ainda que as coisas pareçam no mesmo lugar.
mas não, não é bem assim. nada tem ficado em lugar algum.

onde está a primeira escola? e a antiga estação de trem?
ou mesmo os velhos programas de tv?

gostava de se fixar aos velhos livros. neles, as palavras não mudavam, salvo ocorrência de nova tradução. ainda assim, a essência da palavra permanecia.

ou nem tanto, se pensarmos em interpretações diversas, de cada crítico literário ou cada mero leitor cuja leitura é única.

volta às velhas páginas, então.
engano: a releitura não traz a mesma sensação passada e acolhedora.
movem-se sentidos através dos ponteiros.

ah, esta confusão! onde haverá um canto que prometa e cumpra silêncio e descanso?

houve a música que ouvia, agora muda. apenas lembrança.
quis mover-se com ela. de repente, acompanhar.
entregar-se.

antes, não se atrevia.
agora arrisca uns passos, ainda que desconexos.

a dança da vida é dinâmica.
reconhece que não pode ser acompanhada.

não rigorosamente.

e quer parar. mas não para.

Alessandro de Paula
@palavratomica

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

(Segundo o parnasiano Jorge) LEMINSQUÉLIXO

Contextualizando: Jorge apareceu no blog de um camarada, jogando pedras em seu poema, pela ausência de rimas. No comentário risível ainda se aventurava a explicar o que é rima, muito sofrivelmente. E disse que os que gostam de verso livre (provavelmente ele não conhece o conceito, não sabe o que foi o modernismo, a semana de 22, por aí vai…) são charlatões.


Sem viadagem, achei Jorge irresistível… para uma sátira. Devo lembrar-me de agradecê-lo por despertar o Gregório de Matos que cultivo num fundinho do cérebro.


Olha, Jorge, o que você me fez fazer:




(Segundo o parnasiano Jorge) LEMINSQUÉLIXO


Quer dizer que você só acredita num mundo com rimas?
Ah, parnasiano Jorge...
Você não sabe o quanto ri.
Meus dentes careados e versos imperfeitos agradecem,
mas apenas diga a mim: você existe?
Ou veio em uma máquina do tempo, insatisfeito com as monarquias do século retrasado,
e caiu diretamente num Palmeiras x Corinthians ou Gre-Nal lotado e nada entendeu?
Depois, andou pelas ruas e quase foi atropelado por cães desgovernados.
Estranhou as carruagens motorizadas.
Não sacou nada de rap, funk ou rock 'n' roll.
Pulou Led Zeppelin, as duas guerras, Racionais, as ditaduras da América Latina.
Faltou à aula.
Não leu Bandeira... meu deus! Não, você não leu Bandeira.
Não teve a sorte de ler Vinícius.
Agora quase me comovo por você.
Nada contra Bilac, mas ele é sua vanguarda até hoje, parnasiano Jorge?
Onde você estava quando os de Andrade?
Jorge, Jorge, meu doce parnasiano, Jorge...
Você não viu a Tropicália, o Mangue Beat, os marginais, as Diretas Já, os fiscais de Sarney, o advento da internet, a queda de um muro em Berlim, os neoliberalistas, o desemprego no Velho Mundo... e vem cair logo no tempo em que interpretam calendários maias.
Leminsquélixopravocê, né?
Rio muito com sua inadequação!
Qualquer dia lhe dou rimas de presente.

Alessandro de Paula
@palavratomica

Introdução a uma revolução da natureza

"Cape Town City Cowl Lightning #1", de Juan-Pierre Coleman.
Tempestade de raios na Cidade do Cabo, África do Sul.
Foto originalmente postada aqui.

Sou o homem.
Trago comigo a indústria.
Sou o homem.
Trago comigo o lucro.
Sou o homem.
Trago comigo o progresso.

Assim como não percebi o suor de quem para mim trabalhava,
nem suas expressões exauridas e
tampouco a dor, tampouco a dor...
também não percebi o mato surgindo por entre as placas de concreto.

Ignoro todos os avisos:
os trovões,
a caótica condição climática,
as calotas polares que derretem.

Há lobos que se fazem cordeiros
para fazer lucro,
palestrando sobre um iminente
desastre.
E eu?
Faço o desapercebido...

Trago comigo o lucro! Todo o resto é bullshit!
bullshit eu ignoro.

Sou positivo. Sou homem de ação.

Sou o homem.
Trago comigo a indústria e o lucro.

Trago comigo o fracasso...

Sou o homem
e penso ser deus de alguma coisa.
Sou o homem...

... e nada posso fazer contra a revolução da natureza.

Alessandro de Paula
@palavratomica

De outro mundo

Foto originalmente postada aqui.

Crio todo o tempo que posso criar.
A oportunidade de criar, crio
antes que tenha em meu pescoço um nó
de gravata
que me impeça
e me sufoque.
Um nó que não criei.

Assim como não criei as regras que regem o mercado,
as dívidas e os juros delas provenientes.

Não criei as cotações da bolsa,
suas altas e baixas.

Não criei os poderosos indiferentes
à dor de quem, por miséria,
recorre a recursos drásticos
para ter onde existir.

Nem as leis interpretadas
de forma a sempre
penalizar a quem nada pode.
Foge a meu interesse tão má criação.

Disto me orgulho, de não ter criado
e inaugurado esta obra soturna,
estes dias de trevas
em que povo agride povo.

E, sobretudo, não sou o responsável
pelos acordos realizados sob os panos,
em que muitos são ludibriados
e uns poucos levam vantagens.

É tudo que nunca pensei em criar.
Mas tal obra já existia antes de eu viver.

Durmo em paz e crio mundos no meu sonho.

Acordo e sigo criando.

No mundo que crio, cabe poesia
vinda no vento,
o suave fragrância da iguaria que mais desejo desfrutar.

Crio uma atividade que
dignifique,
apreciável que é
este trabalho,
ao dar acesso à liberdade.

Crio um mundo em que
é possível a escolha:
fora de questão é a sedução massiva,
quimérica liberdade que atrai os pequenos ratos
a uma artificial fatia de queijo
em fatal armadilha.

Crio um mundo livre de gráficos,
de porcentagens,
de estatísticas da desgraça em sociedade.

Crio um mundo de música e dança,
de alegria e inocência.
Crio a criança que corre, abraça e pode confiar no adulto,
que irá sempre protegê-la, até que cresça
e possa cuidar de si.

Depois, crio um lugar em que não precisamos crescer.

Com vocês, crio uma sociedade
em que seremos sócios do sorriso mais bonito,
que são todos os sorrisos
de cada pessoa que passa
no calçadão da praia,
na frente da nossa casa,
na fila do cinema,
com pipoca de graça
e a graça nos olhos.

Crio a mulher mais bonita
e o homem mais forte,
ainda que no mundo criado
não haja a necessidade de usar a força.

Crio todo o tempo que possa criar.
E o tempo é infinito
neste poema.

Alessandro de Paula
@palavratomica

O erro



Eu que sou o erro!
Carrego em meu cerne o mal.
Sou eu o próprio mal.
A eternidade do que carrego comigo
é minha maldição de testemunha eterna.

Tantas coisas já vistas...
Mentira, mentira! Mil vezes mentira!
Não somente presenciei: fui e sou eu o agente de toda a desgraça.

Por exemplo...
dizem ter sido Nero o incendiário de Roma.
Confesso: o inocente Nero não foi páreo para a minha sede de fogo...
Eu fiz aquela gente arder!
E, se Lutero reformava, eu levava o fogo da rivalidade para hoje a Irlanda tremer.
Eu que faço maldita a Terra Santa, prometida aos povos de Israel e Ismael.
Ainda ali, dei o primeiro grito por Barrabás.
Na China, marchei contra o povo na Praça da Paz.
Da África vieram acorrentados os negros para aqui serem maltratados... quem os trouxe, senão eu?

Quando Hitler, na prisão, se preparava para tomar toda a Europa,
na velha bota era eu que gerava o vinho no copo de il duce Mussolini
e, quando os europeus decidiram fazer a América,
criei para eles belas redes de fast food e altas torres que alimentaram o orgulho –
hoje, mais do que nunca, entulho...

Também, como deve sempre ser, eu disseminei o vírus mortal
que nos 80 fez tremer a voraz conduta sexual.
Como se não bastasse,
sou eu o responsável pelo subterrâneo marketing da sensualidade
que se espalha mundo afora.
Agora não escapam da minha armadilha...

Enfim, não há maior mal que eu tenha perpetrado.
Esqueci-me do amor por todas as minhas vítimas:
Os miseráveis da África, da Ásia, da América... pior que uma latrina!
Amor por um planeta agora claustrofóbico,
cheio de tanta gente pior que vocês, que estão aqui.
Porque vocês comem, bebem, fazem amor, coçam o saco...
Há gente que eu privei de tudo isso!
Amor por um planeta agora melancólico...
Amor, este termo tão utópico...

Esqueci.

E não me sinto nada mal com isso!

Alessandro de Paula
@palavratomica

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Da doença e do afago

Imagem originalmente disponível aqui.


Quem sabe medir o peso de uma vida,
depois de haver lidado com desamor e selvageria,
ainda lidando com a competição
numa cidade-monstro, este cíclope-orgasmo-cinza
que nos impressiona e devora -
que nos encurrala e encanta?

Quem saberia ouvir, além de toda poluição,
de cada trovão,
os sinais de que, sim,
há amor e pessoas dispostas a tal entrega?
Que o carinho é possível, a despeito de tudo?
É mais possível que as rimas sem rimas deste poema.
Que a ausência de ritmo
desta pequena peça de comunicação a qual insisto chamar de poema.

Quem sente o calor sutil do suave contato?
A pele que roça pele que...
Quem anda com pressa e consegue ainda reparar
na rosa ali no canto do canteiro
ou no verso de Florbela?

Quem esteve e está doente, mas recebe os afagos
e ainda é capaz de ser grato, aceitar este afago e a tal doença?
Amor e morte... tanto, tantas numa única vida...

Criança, estou falando de tudo.
Pega suas falhas futuras, suas decepções vindouras
e faz poema.
Risca estas linhas com lápis e palavra,
arrisque-se, arrisque sua visão ao longe,
vista suas asas e voe à luz do sol,
cegue-se e prossegue,
mas extraia desse calvário todo amor disponível.

Pega toda alegria que esse amor proporciona e junte-a a cada lágrima que derramou,
que você tenha guardado num cantinho isolado, secreto.

Quem sabe ver que é livre,
a despeito de toda dor?

Alessandro de Paula
@palavratomica

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Palavra-ponte

A ponte Donghai, na China. Foto disponível aqui.


Era a primeira vez que me via frente ao abismo.
Perguntaram-me como faria
para...

Não sabia,
mas o ato de questionar-se era ferramenta sob medida.

Era o tempo da construir.

Descobri... e fez-se a luz mais bela.
A redescoberta: a palavra como ponte.

Perante tantas delas,
não houve abismos suficientes para o impedimento da passagem
para todas as idas e para as voltas todas. Para a vida.

Alessandro de Paula
@palavratomica

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Poema de Elaine

Uma breve homenagem à amiga Elaine Paiva, que, em tão pouco tempo, tornou-se figura tão querida deste publicador.



Ela é meu porre
de poesia e vinho nas noites.
Porrada em versos.
Suave,
a carne crua,
o sentimento nu,
a alta-costura, 
a máfia russa feita estrofe,
a moda, a foda. 


O golpe pesado da luva 
em mão leve. Ela é desafio,
poética esfinge que
insiste e diz:
"Dispa-me os versos ou 
vou-me embora."


Ora veja, solitária à mesa,
mas só quando quer.
Saca o aparelho da sacola
e manda um torpedo.
Bomba de chocolate na cara. 
Tão doce, tão flor. 
Tão capuccino com canela.


Embriaguez
e oras-vejas às posturas babacas
excludentes de
ternura 
e profundidade.
Ela é contravenção,
traficando calor

alegria.


Quando o mundo quer ser mais cinza.
Ora-veja...


Ela repudia o que não tem cor.
Ela é amor. 
Com ela aprendo
a devolver amor
sem perceber.


Alessandro de Paula
@palavratomica

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Do nada ao risco (ou poema de amor sem risco algum)


O desejo dos tímidos
é qualquer coisa
que não é amor,
senão explodiria.

Porque amor, pra ser o que é,
explode.

Ele sempre se dá,
ainda que não seja retornado.

É compreensão
e também o desejo
da posse. Mas se não há a manifestação do desejo,
o que é?

Ilusão paupérrima,
penúria da alma.

O sujeito implode
e recolhe ruínas silenciosamente.

O que não ama está morto.
Mantém os olhos fechados
pras maravilhas
e também pro que é mesquinho e feio.
É seguro. A morte é segura.

Hoje urge amar alguma coisa.
Ou pessoa.
Hoje urge amar ao máximo, ao limite.
Mesmo o lugar-comum destas palavras.

Vida é risco.
E assim é melhor.
Por isso rabisco lugares-comuns no papel
e vou do nada ao risco.

Também assumo a importância
de retornar do risco ao nada.
Pra tomar fôlego.
Pra seguir com o espetáculo.
Dia após noite, noite após dia.

Hoje urge amar.

Alessandro de Paula
@palavratomica



Comemorando um mês de Coletivo. 

Parabéns a todos nós, que não deixamos a Poesia num leito de hospital, respirando por aparelhos. 

Fazemos da Poesia esta bela moça, cheia de encantos, saudável, atlética, capaz de vencer uma maratona, ganhar uma medalha olímpica. 

Isto se chama revolução. E prossegue em curso.

Que os outros meses sejam ricos como foi este que passou. 

Beijos e abraços revolucionários,  queridos amigos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poemabalho



Quero fazer um poema,

o problema é que tenho trabalho.


Como se faz pra trabalhar

quando não parece fazer sentido?


Porque o único sentido

está no poema que se quer fazer.

Alessandro de Paula
@palavratomica

PS: Rara produção nova neste período em que faço releituras de antigas produções minhas.
Outro PS: Beijos e abraços, pessoal! Tenham um bom início de semana. ;)

sábado, 10 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um habitante, um vírus, um alvo


ela, monstruosa, abre seus braços e bocas.
esmaga e devora.
não há piedade.
sem tempo para sentimentos.

ela, acintosa, assusta-me toda veia e artéria.
sucos e sangues.
rompe a espinha.
compromete os movimentos.

resta-me
paciência
para

para! não, não para, porra!

observar
o que
sobra de
humano em
cada um,
cada vírus
neste
organismo       ???????????      este
corpo
tenta
matar-me e
seguramente
o fará,
depositando
-me
em um
campo santo
qualquer.    não    haverá    memória    suficiente    ao    insignificante    habitante
                       esta
                       é minha
                       amante.
                       eu a odeio,
                       mas não
                       posso
                       desv
                       encil
                       har
                       -
                       m
                       e
 .ercassam oa iemutsoca em áj E .surív mu euq siam omsem uos oãn ,icsan euq me edadic aN.

Alessandro de Paula
@palavratomica

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deusa, adeus!

Xochiquetzal, deusa asteca da natureza. Por Cathy Delanssay, aqui.

Adeus, deusa. Adeus.
Nunca mais sua beleza em lugar algum.
Não na face ou silhueta
nem no retrato manchado por algum acidente de percurso.

Ofereça ao deus morto o seu vazio
que todos possuem.
Ninguém deseja, deusa. Tampouco eu.

Ninguém preenche este vazio,
tão melhor que a pretensiosa fantasia.

Sua fantasia, deusa, não é mais visível.
Não deixa saudade porque já foi tragada pelo últim*

Alessandro de Paula
@palavratomica