terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Colheita






Não plantei dores.
Não colherei ferimentos antipáticos!
Desejo, modestamente, colher lírios amarelos!


Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

Artefato



Erradicou-se
Toda a ausência imperou
Sobrou afeto
Despencado na impunidade
Verteu-se abismo
Em pleno chão
Que não ocupou
A estrada feita por durar
Foi passagem cindida
Calamidade
Entrega sem partidos
Os sentidos todos
Num arrepio
Não deformaram os apelos
Ainda gritantes
Colecionando a dor
Ao ser um dejeto do outro



Pêssego

Amarelo-pêssego, por Wagner Campelo





Enquanto eu o saboreava,
Ele me devorou.
Seu caroço, meus ossos...
Somos tão parecidos,
Por dentro!


                                                                     Mara Medeiros

Conselhos de Amigo

Me permita dizer, sem rodeios, que não gosto de te ver triste.
Mas, se acaso insistires em viver este pseudo amor, preferirei sequer contemplar teu semblante...
Amigos são aqueles que, no calor do momento, não querem entender, apenas sentem uma raiva contida imensa.
Não posso lhe enxugar o rosto todos os dias, não quero me sentir impotente.
Contudo, sei as escolhas que faço... e entendo as que você deixou de lado!
Acredite, há sempre uma um caminho, uma saída improvável.
Mas pra isso, terás que vencer o medo que lhe dominaste...


Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

(Segundo o parnasiano Jorge) LEMINSQUÉLIXO

Contextualizando: Jorge apareceu no blog de um camarada, jogando pedras em seu poema, pela ausência de rimas. No comentário risível ainda se aventurava a explicar o que é rima, muito sofrivelmente. E disse que os que gostam de verso livre (provavelmente ele não conhece o conceito, não sabe o que foi o modernismo, a semana de 22, por aí vai…) são charlatões.


Sem viadagem, achei Jorge irresistível… para uma sátira. Devo lembrar-me de agradecê-lo por despertar o Gregório de Matos que cultivo num fundinho do cérebro.


Olha, Jorge, o que você me fez fazer:




(Segundo o parnasiano Jorge) LEMINSQUÉLIXO


Quer dizer que você só acredita num mundo com rimas?
Ah, parnasiano Jorge...
Você não sabe o quanto ri.
Meus dentes careados e versos imperfeitos agradecem,
mas apenas diga a mim: você existe?
Ou veio em uma máquina do tempo, insatisfeito com as monarquias do século retrasado,
e caiu diretamente num Palmeiras x Corinthians ou Gre-Nal lotado e nada entendeu?
Depois, andou pelas ruas e quase foi atropelado por cães desgovernados.
Estranhou as carruagens motorizadas.
Não sacou nada de rap, funk ou rock 'n' roll.
Pulou Led Zeppelin, as duas guerras, Racionais, as ditaduras da América Latina.
Faltou à aula.
Não leu Bandeira... meu deus! Não, você não leu Bandeira.
Não teve a sorte de ler Vinícius.
Agora quase me comovo por você.
Nada contra Bilac, mas ele é sua vanguarda até hoje, parnasiano Jorge?
Onde você estava quando os de Andrade?
Jorge, Jorge, meu doce parnasiano, Jorge...
Você não viu a Tropicália, o Mangue Beat, os marginais, as Diretas Já, os fiscais de Sarney, o advento da internet, a queda de um muro em Berlim, os neoliberalistas, o desemprego no Velho Mundo... e vem cair logo no tempo em que interpretam calendários maias.
Leminsquélixopravocê, né?
Rio muito com sua inadequação!
Qualquer dia lhe dou rimas de presente.

Alessandro de Paula
@palavratomica

Coletivo Poetário

Um grupo no ponto, esperando a lotação
Leo, Lu, Mara, Laine, Lê, Plínio, Mário
Esperam também Andres
Que não vai chegar no horário
Tomam então o baú, busão, trem coletivo
Ih! Vêem quem está na condução!!
Um Brukutu Philosofia novato
Arranca com eles e vai arte ladeira poesia poética abaixo
Saiam da frente!
É sem freio a revolução

Mistérios da Vida

Certa vez, estranhamente, me disseram que a vida era assim, intensa e imprecisa.
Muleque que era, olhei para as estrelas e me perguntei como poderia ser tal fato uma verdade.
Mas, o tempo que nunca pode abalar as estruturas da mente, se encarregou de mostrar como deveras o é...


Sim, ela é intensa: tanto quanto os sentimentos que lhe aplicamos.


Imprecisa: porque jamais saberemos o que deveras desejamos...






Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

Agradecimentos Revolucionários!




Caríssimos amigos, companheiros e afins, que tão diligentemente estiveram conosco no 1° #SarauRevolucionário, ocorrido ontem - domingo, 29/01/2012, das 19 às 21h no twitter; a vocês viemos dirigir nossas poucas palavras tantas.

Pensávamos, no ideal imaginário, que este post de agradecimento seria, enfim, uma reunião de resultados a serem exibidos, quantificando e estratificando participantes por localidade, enumerando arrobas, citando cifras e números obtidos a partir do nosso evento - tão amplamente divulgado, quanto decisivamente surpreendente na própria ocasião. Para fim de registro, ocupamos os trending topics do twitter aos 40 minutos da primeira hora e antes dos 30min finais já estávamos na 2ª colocação. O que para nós expressou sucesso garantido e plena realização.

Por motivos, os mais diversos, não contamos com a participação de grandes tuiteiros de renome, que tanto abrilhantam nossas TL's com seus poemas e versos. Nem pudemos contabilizar em termos de comentário, aqui no próprio blog, a lista de presença, dado que muitos não conseguiram ou mesmo se recusaram. Porém, na contramão da história, como é próprio de qualquer revolução: fomos surpreendidos enriquecedora e vorazmente por aqueles que vieram pelo inédito, daqueles que somaram força e marcaram presença, sobretudo para se ajuntar e ficar conosco.

Neste resultado, já contamos com mais 3 novos revolucionários a compor o time de autores nesse coletivo literário. Ainda, pudemos registrar acesso de mais de mil clicks em nosso blog durante o evento! E toda a rede de seguidores e demais articuladores que nos juntamos para fortalecer a rede e o laço social desses, que apenas, amamos o ideal da palavra, da possibilidade de linguagem, de articulação com o escrito.

Por isso, sobra o que é mais importante aqui: MUITO OBRIGADO! Nossos corações sabem dizer sobre esse contentamento maior.

Despeço-me, com um escrito singelo, para marcar e não interromper nossa proposta. Afinal, #REVOLUCIONÁRIOS somos e para nós sempre acreditaremos que: Poesia é Revolução.




Não há o que se temer 
quando na palavra 
o sujeito se contradiga

Não há de se reclinar 
o que pela palavra 
alguém se extradita

Estamos imersos 
aonde o verbo nos elege 
ante a prática

Desamparados do dizer 
escolhemos a poesia 
para fins de reduto, de bengala, 
de aposta, 
de retomada

Temos no desafio de um verso 
o pacto pela beleza, 
o reconcilio com nosso próprio sentimento de vir-a-ser;
inovar a dimensão 
do que diremos aprendendo 
a experimentar

Revolução é essa palavra em obra, 
que ora assusta aqueles que temeram perder seu lugar, 
ou ainda que nunca tiveram espaço diverso
a não ser ficar só,
em si mesmo

E o que revolucionamos é mais algum pedacinho de gente 
que poderemos acontecer maiores em nós mesmos, 
somados a quem vier. 
Para que a vida seja 
na repercussão do encontro

Nosso agradecimento é o que couber para além da palavra gratidão, 
que possa assim inaugurar nova aposta de vínculo, 
um abraço frutífero, outra história 
para a memória


Meus carinhos expressos, poéticos, bem mais revolucionários!




Leonardo Valesi Valente
Brasil, 30 de janeiro de 2012.

Introdução a uma revolução da natureza

"Cape Town City Cowl Lightning #1", de Juan-Pierre Coleman.
Tempestade de raios na Cidade do Cabo, África do Sul.
Foto originalmente postada aqui.

Sou o homem.
Trago comigo a indústria.
Sou o homem.
Trago comigo o lucro.
Sou o homem.
Trago comigo o progresso.

Assim como não percebi o suor de quem para mim trabalhava,
nem suas expressões exauridas e
tampouco a dor, tampouco a dor...
também não percebi o mato surgindo por entre as placas de concreto.

Ignoro todos os avisos:
os trovões,
a caótica condição climática,
as calotas polares que derretem.

Há lobos que se fazem cordeiros
para fazer lucro,
palestrando sobre um iminente
desastre.
E eu?
Faço o desapercebido...

Trago comigo o lucro! Todo o resto é bullshit!
bullshit eu ignoro.

Sou positivo. Sou homem de ação.

Sou o homem.
Trago comigo a indústria e o lucro.

Trago comigo o fracasso...

Sou o homem
e penso ser deus de alguma coisa.
Sou o homem...

... e nada posso fazer contra a revolução da natureza.

Alessandro de Paula
@palavratomica

De outro mundo

Foto originalmente postada aqui.

Crio todo o tempo que posso criar.
A oportunidade de criar, crio
antes que tenha em meu pescoço um nó
de gravata
que me impeça
e me sufoque.
Um nó que não criei.

Assim como não criei as regras que regem o mercado,
as dívidas e os juros delas provenientes.

Não criei as cotações da bolsa,
suas altas e baixas.

Não criei os poderosos indiferentes
à dor de quem, por miséria,
recorre a recursos drásticos
para ter onde existir.

Nem as leis interpretadas
de forma a sempre
penalizar a quem nada pode.
Foge a meu interesse tão má criação.

Disto me orgulho, de não ter criado
e inaugurado esta obra soturna,
estes dias de trevas
em que povo agride povo.

E, sobretudo, não sou o responsável
pelos acordos realizados sob os panos,
em que muitos são ludibriados
e uns poucos levam vantagens.

É tudo que nunca pensei em criar.
Mas tal obra já existia antes de eu viver.

Durmo em paz e crio mundos no meu sonho.

Acordo e sigo criando.

No mundo que crio, cabe poesia
vinda no vento,
o suave fragrância da iguaria que mais desejo desfrutar.

Crio uma atividade que
dignifique,
apreciável que é
este trabalho,
ao dar acesso à liberdade.

Crio um mundo em que
é possível a escolha:
fora de questão é a sedução massiva,
quimérica liberdade que atrai os pequenos ratos
a uma artificial fatia de queijo
em fatal armadilha.

Crio um mundo livre de gráficos,
de porcentagens,
de estatísticas da desgraça em sociedade.

Crio um mundo de música e dança,
de alegria e inocência.
Crio a criança que corre, abraça e pode confiar no adulto,
que irá sempre protegê-la, até que cresça
e possa cuidar de si.

Depois, crio um lugar em que não precisamos crescer.

Com vocês, crio uma sociedade
em que seremos sócios do sorriso mais bonito,
que são todos os sorrisos
de cada pessoa que passa
no calçadão da praia,
na frente da nossa casa,
na fila do cinema,
com pipoca de graça
e a graça nos olhos.

Crio a mulher mais bonita
e o homem mais forte,
ainda que no mundo criado
não haja a necessidade de usar a força.

Crio todo o tempo que possa criar.
E o tempo é infinito
neste poema.

Alessandro de Paula
@palavratomica

O erro



Eu que sou o erro!
Carrego em meu cerne o mal.
Sou eu o próprio mal.
A eternidade do que carrego comigo
é minha maldição de testemunha eterna.

Tantas coisas já vistas...
Mentira, mentira! Mil vezes mentira!
Não somente presenciei: fui e sou eu o agente de toda a desgraça.

Por exemplo...
dizem ter sido Nero o incendiário de Roma.
Confesso: o inocente Nero não foi páreo para a minha sede de fogo...
Eu fiz aquela gente arder!
E, se Lutero reformava, eu levava o fogo da rivalidade para hoje a Irlanda tremer.
Eu que faço maldita a Terra Santa, prometida aos povos de Israel e Ismael.
Ainda ali, dei o primeiro grito por Barrabás.
Na China, marchei contra o povo na Praça da Paz.
Da África vieram acorrentados os negros para aqui serem maltratados... quem os trouxe, senão eu?

Quando Hitler, na prisão, se preparava para tomar toda a Europa,
na velha bota era eu que gerava o vinho no copo de il duce Mussolini
e, quando os europeus decidiram fazer a América,
criei para eles belas redes de fast food e altas torres que alimentaram o orgulho –
hoje, mais do que nunca, entulho...

Também, como deve sempre ser, eu disseminei o vírus mortal
que nos 80 fez tremer a voraz conduta sexual.
Como se não bastasse,
sou eu o responsável pelo subterrâneo marketing da sensualidade
que se espalha mundo afora.
Agora não escapam da minha armadilha...

Enfim, não há maior mal que eu tenha perpetrado.
Esqueci-me do amor por todas as minhas vítimas:
Os miseráveis da África, da Ásia, da América... pior que uma latrina!
Amor por um planeta agora claustrofóbico,
cheio de tanta gente pior que vocês, que estão aqui.
Porque vocês comem, bebem, fazem amor, coçam o saco...
Há gente que eu privei de tudo isso!
Amor por um planeta agora melancólico...
Amor, este termo tão utópico...

Esqueci.

E não me sinto nada mal com isso!

Alessandro de Paula
@palavratomica

domingo, 29 de janeiro de 2012

#SarauRevolucionário nos TT's!

Nossa hashtag chegou lá nos Trending Topics do twitter!

3ª posição...




e, o melhor, no 2° lugar!



Comemoremos, revolucionários!

Lista de Presença

(clique na imagem para ampliar)






Para participar do #SarauRevolucionário assine a lista de presença aqui neste post, observando que deva conter no seu comentário: nome de usuário no twitter (apelido com @); nome completo; cidade; estado. No caso de participantes estrangeiros, gentileza informar também o país.


Saudações poéticas, ótimo sarau a todos!

Coletivo Revolucionário.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Prévios Agradecimentos...



O Coletivo Revolucionário vem registrar nosso profundo agradecimento a todos os que sensivelmente se mostraram favoráveis a realização de nosso 1° #SarauRevolucionário, amanhã dia 29 de janeiro, domingo, das 19 às 21h (do horário oficial de Brasília) no twitter.
Com muito carinho registramos cada TT de divulgação de nossa proposta, endossando com fervor o empenho que tivemos para fazer um super evento, com a participação maior de todos.
Por essa alegria, vimos simbolicamente registrar nosso abraço coletivo nesse vôo, nessa revolução de transgredir pela palavra, de promover lirismo com versos e frases como se pudéssemos fazer a cada dizer um mundo novo de novo!
Agradecemos aqui a todos que divulgaram e em nome deles os que ajudaram com inúmeros RT's, além dos que auxiliarem sobremaneira no facebook, no evento criado, como também em outros fóruns, e-mails e citações.
Citemos com carinho esses pequenos grandes companheiros, cuja palavra somou força para o evento que faremos marco histórico no dia de amanhã. Muito obrigado, nominalmente, a todos vocês:

@Arte_eCultura Portal Arte &Cultura
@crisqpimenta Cristiane Q. Pimenta
@CROMOSSOMICO Durval Moura
@ dagoberto silva 
@Daniele_SF Daniele Freitas
@dulazaro Eduardo Lazaro
@entre_mares Entre MarÉs
@fcoaxavier Francisco Xavier
@gustavo_somel Gustavo
@jaquelinefogaca Jaqueline Fogaça
@jbatistaalves Batista Alves
@lainepaiva Elaine Paiva
@leovalesi Leonardo Valesi
@lulypim Lu Pimenta
@lunaticapoesia Ani Almeida
@mah_sarmento viEvendo
@MaraMacrimed Mara Medeiros
@MargarethDumont Margareth Dumont
@Mariogerson Mário Gerson
@MayAlmeidaaa Marya Almeida
@mocadosonho a moça do sonho
@Nina_Barroso Nina Barroso
@palavratomica Alessandro de Paula
@pliniocaetano23 Plínio Caetano
@renanrop Renan O. Pacheco
@rickleone Ricardo Leone
@ritaschultz ritaschultz
@SC_ArteeCultura Sandra Cajado
@Sil_FM Silvana Gonçalves
@tatikielber Tatiana Kielberman
@taysrocha Tays Rocha
@uma_combinacao Combinação Perfeita
@versoecores Verso & Cores
@vilarinhos Regina Vilarinhos

Saudações poéticas, nosso encontro marcado também se fará no coração!
Até amanhã, juntos pela poesia. Afinal, Poesia é Revolução.

Coletivo Revolucionário.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Música em Mim



Ouço e choro.
Emoção transborda,
Coração quer colo
E razão discorda.
Assim vou levando...
Sensações contrárias
Vêm e vão, passando,
Revolucionárias.

                                                                Mara Medeiros

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Belo Triste Fim de Policarpo Coqueiro

Na rua entre as calçadas
Na rua o movimento
O piche preto que absorve o sol
Piche preto do asfalto na rua
Está sujo
Alongada mancha de restos
Algo não foi bem na cidade
No chão restos, o atropelado
Pelo visto [e não visto], por mais de uma vez
Por sobre ele algo passado
Ou uma só vez, grande, pesado
O que inteiro antes, talvez forte, rijo
Encorpado
Quase é um cobertor sobre a rua    deslizado
Não é de se ver agradável
A vista, atenta, se alonga
Se alonga atenta à vista, a curiosodade
E leva com ela o corpo vivo de quem quer ver
O que é agora sem vida
Mais forte que o asco, mais profundo que a rejeição
Se chega o indivíduo, eu
Àquilo que se espalha no chão
...E chega firmando os sentidos
Com cuidado de quem não quer ver
Olhando aquilo que foi antes um ser
Com cuidado observa
As sobras encabeladas
A parte de dentro para fora
Exposta a todos sem segredo
As partes mais duras quebradas
Está ali sem pudor de vida
O resto
A sobra
De um côco atropelado




Toninho Araújo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Filho

Fotografia: Gabriel Medeiros
 
Meu 'pedacinho de carne'
cresceu, cresceu, cresceu...
Virou homem feito,
já não precisa mais de mim.
Agora é só amor.




                                                                                     Mara Medeiros

Orientações para o 1° #SarauRevolucionário!



Olá amigos #REVOLUCIONÁRIOS! Atendendo alguns pedidos de maiores explicações, aqui vamos nós!

O 1° #SarauRevolucionário é um evento organizado por esse Coletivo Revolucionário, que é associação de livres pensadores, poetas, escritores e aprendizes das letras, que nos autorizamos transgredir pela palavra o sentimento de lirismo, de liberdade para a expressão e nos autorizamos criar escritos.

Nasceu de um desejo comum entre os membros, que logo expandiram seus desejo buscando aglutinar outros, tanto para o evento propriamente dito que acontecerá na data e horário já bem divulgados, como também será uma oportunidade para somar com quem mais quiser publicar aqui nesse espaço do blog.

A temática do evento é "SARAU DA NATUREZA REVOLUCIONÁRIA", tema proposto pelo companheiro Alessandro de Paula (@palavratomica). No entanto, tal temática é mais emblemática de nossos anseios e propósitos, o que não restringirá a inscrição ou a participação de qualquer um, que por ventura venha a publicar versos, micropoemas, curtacontos, frases ou pensamentos na tag #SarauRevolucionário durante a realização do evento.

Para participar observar que iremos disponibilizar nos 30 min antes de iniciar o sarau propriamente dito uma listagem de presença que será assinada aqui mesmo no blog.

Para os que tenham alguma dificuldade em utilizar o twitter recomendo que escrevam qualquer TT, para fins de teste, colocando a tag nesse escrito. Publique em sua time-line (TL). Depois de publicado clique em cima da #SarauRevolucionário que remeterá ao link aonde estão sendo publicados outros TT's também utilizando a tag. Isso será o sarau no dia do evento: a tag reunirá todos os que estiverem escrevendo, publicando, participando. Aí fica livre para cada um ler, dar RT, favoritar, seguir, comunicar, interagir das mais livres e diversas formas possíveis durante o 1° #SarauRevolucionário. Outra forma simples de acompanhar é digitar dentro da caixinha de busca do twitter, de novo, a mesma tag #SarauRevolucionária, o que permite visualizar toda publicação dentro do evento e desde já quando estamos divulgando de forma bastante ampla.

No mais contamos com a ajuda de todos!

Para os que tenham facebook também criamos, com a ajuda do Plínio Caetano (@pliniocaetano23) um evento explicativo e comemorativo para maior divulgação do 1° #SarauRevolucionário.

Saudações poéticas, abraços revolucionários,
Leonardo Valesi Valente (@leovalesi).







Outros links para interesse e orientação de todos:






Evento no facebook:






Toda vez que quiser saber das novidades sobre o Sarau Revolucionário, acesse aqui e procure por #SarauRevolucionário no twitter!
http://twitter.com/#%21/search-home
 
 

Para os que não têm twitter, favor anotar essa busca (digite #SarauRevolucionário dentro da caixa de diálogo) para acompanhar o evento ao vivo no dia!
http://twitter.com/#%21/search/#SarauRevolucion%C3%A1rio 

 





domingo, 22 de janeiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Tradição Anda Parada

Ainda é festa, Agosto não termina
-Pelo menos até Setembro-
O dia de hoje, sim
Com ele os últimos desfiles folclóricos
É domingo, praça cheia
Congados convidados de outras cidades
Mães, crianças, Marujos, Catopês, Caboclinhos
Sol e sombrinhas
Gente vai começar a andar pelas ruas
Pelas ruas os veículos já estão
Os guardas, não
Nem também, de muitos motoristas, a educação
As gentes cortam as ruas, os veículos cortam o desfile
Muita vez é assim, quando falta do poder a administração
Já sairam da praça os cortejos
Avançaram um quarteirão
Ninguém para parar o trânsito
Nem uma mulata
Faz este papel com fibra, o bom professor João
Não, não o de mulata
Joãojoba, de bolsa tiracolo, no meio da rua fica
As máquinas freando vão, parando vão
O desfile vai, andando vai
O progresso tem pressa
As máquinas se impacientam
Roncam, chiam,
Sob a ordem dos pés de quem guia
Falam, gritam
Sob o mando da mão de quem guia
Chega mais um recurso humano
Mais um reforço, carne e osso, nesta parada
Chega Wander Vandervan, mais braços, pernas e discursos
As pessoas passam, como procissão
O tempo passa
A paciência passa com pressa
As máquinas podem passar
Jobajoão mais Vandervan somados liberam a via
Agora produto de carros multiplicados
De um busão, gente na janela, desde antes, reclamação
Da janela gente, raiva, imprecação
Discutem com os agentes improvisados da organização
Fala em cultura, Joba, fala em cultura, Wander
Falam eles em tradição
Fala um da janela, um mais fortão
Se põe quase p'ra fora dela
Bravo, indignação
Continua Wander, continua João
Os dois falam em cultura, tradição
O sujeito da janela mostra o muque
De camisa preta mostra o bração
Dá uns tapinhas nele
'Taqui a cultura'
Faz com ele uma flexão
E o fala-fala continua
Desce então o grandão
Perde um pouco o ocorrido o colorido
Se for contado a confusão
Desceram mais do ônibus, do baú busão
Nem precisavam
Perdeu feio, a tradição
Agora descansam, de branco engessados
Wander, João, sua civilização
Estão juntos lado a lado
Não dá para fazer diferenciação








          Toninho Araujo

Convite!



19h do horário brasileiro de verão

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minuto


Você de novo tomando meu pensamento.
Causando em mim tormento,
Fazendo durar um único momento.

Vínculo invisível
Somente eu vejo
Nos meus olhos, desejo
E do coração, despejo.

No tempo que tenho, não basto
Na mão que me estende, não basto
No silêncio que grita, não basto
No amor que desprende, não basto

Mudo o rumo, mas sigo a mesma direção
A mesma monótona dimensão
Daquilo que deveria ser não
Mas continua insistindo em vão.

Dia a dia, sou noite
Pesada
Inchada
Camuflada
Desesperada
Cansada
E, por fim, resignada.

E ainda que meu eu seja por hora todo você,
Derreto-me no sono que passa longe de mim
Eu minuto. Você o tempo.


Luciana Pimenta
@lulypim

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Da doença e do afago

Imagem originalmente disponível aqui.


Quem sabe medir o peso de uma vida,
depois de haver lidado com desamor e selvageria,
ainda lidando com a competição
numa cidade-monstro, este cíclope-orgasmo-cinza
que nos impressiona e devora -
que nos encurrala e encanta?

Quem saberia ouvir, além de toda poluição,
de cada trovão,
os sinais de que, sim,
há amor e pessoas dispostas a tal entrega?
Que o carinho é possível, a despeito de tudo?
É mais possível que as rimas sem rimas deste poema.
Que a ausência de ritmo
desta pequena peça de comunicação a qual insisto chamar de poema.

Quem sente o calor sutil do suave contato?
A pele que roça pele que...
Quem anda com pressa e consegue ainda reparar
na rosa ali no canto do canteiro
ou no verso de Florbela?

Quem esteve e está doente, mas recebe os afagos
e ainda é capaz de ser grato, aceitar este afago e a tal doença?
Amor e morte... tanto, tantas numa única vida...

Criança, estou falando de tudo.
Pega suas falhas futuras, suas decepções vindouras
e faz poema.
Risca estas linhas com lápis e palavra,
arrisque-se, arrisque sua visão ao longe,
vista suas asas e voe à luz do sol,
cegue-se e prossegue,
mas extraia desse calvário todo amor disponível.

Pega toda alegria que esse amor proporciona e junte-a a cada lágrima que derramou,
que você tenha guardado num cantinho isolado, secreto.

Quem sabe ver que é livre,
a despeito de toda dor?

Alessandro de Paula
@palavratomica

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sobre Nós Aqui Assim, Assim.



O jeito que me tem
O jeito que me conduz
O jeito com que olha
O jeito que me seduz
O jeito com que escreve versos
O jeito com que tenta ser
O jeito com que você É
O jeito...
Esse jeito...
O meu jeito
O nosso jeito.

Andres S.A @AndresAraujo

A Trajetória



caminhei por afetos
que me abandonei
de uma ação preservada
evitação

condicionei-me aos descaminhos
que me refiz de
grotões surrados
sindrômico

corrompi minha lida
num afoito
entorpecer de descomeços
resiliênica

retive minha obra
carcomida nas mãos que aprendi
amputadas
criminoso

interrompi minha entrega
resguardei-me na morte do próximo dia
estive por dentro do que me mudei de mim
minado




sábado, 14 de janeiro de 2012

Um sentir de recordar pra sempre

Amanhecera lentamente naquele dia que parecia mais um. Joana havia saído cedo para trabalhar, como de costume. Trajava um vestido longo de uma malha fria e suave a roçar delicadamente suas formas, como se lhe acarinhasse, e sandálias que deixavam nus os seus dedos e as unhas por fazer. As horas desfilavam seus instantes rotineiros fielmente. Nada novo, de novo.
A noite aproximou-se timidamente e quente. A lua cheia mais parecia o sol a emanar calor com afinco. A única coisa que ela ansiava era um banho frio para deixar mais branda aquela temperatura que lhe vestia o corpo inteiro como se fosse uma sobreposição ao vestido trajado, formada de camadas espessas de tecido. Sim, rendeu-se a um banho nada breve e totalmente intimista.
Momentos depois, já envolvida em toalha felpuda, branca e acolhedora, ouve seu telefone celular tocar. Estava tão relaxada que pareceu ouvir sua canção preferida ao invés daquele toque. Passava das vinte e uma horas. Deitou-se em sua cama e atendeu. Do outro lado aquele que parecia recitar os mais belos versos ao falar. De voz incomparável e sedutora. De ternura diluída em cada palavra pronunciada. Era como se ouvisse sussurros. Os mais apreciáveis.
Nando era seu nome.
Conversaram durante uma hora. Eram maravilhosamente redundantes. Repetiam os mesmos discursos enamorados. Da alegria de se conhecer, do carinho sendo nutrido, das expectativas juvenis que criaram em torno de ambos. Havia um misto de urgência em se encontrarem e receio em não corresponderem ao que esperavam um do outro e daquele que seria verdadeiramente um encontro, pois os outros dois momentos em que seus olhares estiveram um frente ao outro foram tão inesperados e despreparados, que mal souberem como conduzir e acabaram por não fazê-lo.
Escreveram-se linhas transbordantes. Carinho, ternura, cuidado, respeito, desejo. Tudo perfeitamente descrito como se fossem poetas concebendo os mais belos versos. E falavam de tudo que já havia sido escrito, como se fosse algo novo, recém sentido e explanado. Mas ainda assim, tanto ele quanto ela, recebia tudo como se fosse um novo discurso. Ouvir um ao outro era de um contentamento gritante.
A conversa ia desenhando os momentos seguintes. Joana rendeu-se ao desejo de vê-lo, ainda que estivesse exausta. Nando a motivava de uma maneira inexplicável. Antes que ele a convidasse à um encontro ela já o esperava.
Ele deu-lhe quinze minutos e logo estaria lá para buscá-la pra si. Ela sentia: seria dele. Ele supôs: ele seria dela.
Livrou-se da toalha, vestiu outro longo vestido florido, bem colorido, exatamente das cores que havia de ter sua alma agora, tamanha era sua euforia. Perfumou-se, maquiou-se. Ela queria presentear os olhares dele. Ele merecia no mínimo isto.
Quinze minutos e ele chegou.
Nando estava despretensiosamente lindo. Tinha um cheiro de bons momentos e olhos de querer bem.
Joana apaixonou-se mais uma vez por ele bem ali. No meio da rua. Na mínima duração daquele instante inicial do encontro deles.
Entraram em seu carro e seguiram. Não sabiam exatamente aonde ir, mas era certo que tinha o desejo comum de ir a algum lugar onde coubesse todo aquele bem que sentiam ao estarem juntos. Ao primeiro semáforo fechado, olharam-se como se estivessem se descobrindo e seus lábios se uniram silenciosamente, levando um para conhecer o interior do outro, como se isso fosse possível naquele momento.
Foi o primeiro beijo. Perfeito. A boca de um tão bem encaixada na boca do outro, surtindo um efeito tão inebriante. Misturando aquela porção imensurável de sensações que sentiam juntos.
Uniram também suas mãos, como se estivessem protegendo aquela alegria que sentiam, para que não se desprendesse dali.
Chegaram por fim ao apartamento de Nando. Ela transpirava carinho por ele. Ele portava certa insegurança minimizada pela certeza de que a queria.
O cheiro do mar adentrou a sala e enfeitou aquelas horas como se bem soubesse que eles o queriam lá.
Aquela ventania levou o nervosismo de outrora, os pudores dispensáveis, os móveis, tudo. Restaram apenas os dois e aquele sentir exacerbado e incontrolável.
De fato não se contiveram. Ele a levou em seus braços de abraços acolhedores para seu quarto, para a cama onde dizia imaginá-la lá por diversas vezes, como num sonho, e despiu-lhe como se folheasse um livro. Delicadamente para não amassar.
Beijaram-se com uma urgência sedutora. Sucumbiram ao desejo como se estivessem de mãos atadas, inteiramente vencíveis. E foi maravilhoso. Além do que já supunham.
Disseram as palavras exatas para cada instante daquelas horas. Tocaram-se exatamente onde ambos queriam ser tocados, com a propriedade de quem conhece bem cada movimento, cada suspiro, cada sensação do outro. Como se já fossem seus há tempos.
Joana entregou-se de olhos vendados pelo prazer que Nando a fazia sentir. Ele, por sua vez, dizia-lhe através daqueles olhares tão íntimos o quão feliz estava por sentir-se dela.
Sim, eles eram um do outro e aquele desejo de sê-los desatava qualquer amarra que pudesse existir antes de se tocarem.
A paixão estava infiltrada embaixo da pele deles, ardia e umedecia insistentemente. Não havia como resistir, como não render-se. Eles eram, na verdade, mais daquela paixão que deles mesmos.
A noite seguia inversamente proporcional ao ritmo daquele desejo. Muitas horas lhes restavam sob os olhares aprovadores da lua cheia. E eles permaneceram juntos naquele movimento de se sentir. Um visitando a intimidade do outro e deixando lá um pouco de si para quando retornassem, estando presentes mesmo quando não mais estivessem. Embora já soubessem que dali em diante restaria sempre um pouco de cada dentro dos dois.
Nando a ganhara. E ela a ele. E o acaso a ambos. Não importava nada mais que aquele momento e todos os outros que queriam e sabiam que teriam ainda. Viver era o que ansiavam agora. A vida havia mudado de sabor. E agora tinha o sabor de ambos e do novo sentido que davam à paixão cada vez que se sentiam como bem desejavam...

Lai Paiva


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Insônia




Mais uma noite de insônia.
Mais um pensamento com gosto de amônia.
Mais de mim.
Assim.
Sem fim.

Mais da mente que voa.
Mais imaginação a toa.
Mais de ti.
Mas não aqui.

E no mais, me faço menos.
Provo dos meus próprios venenos.
Já não mais creio.
Anseio.
Devaneio.

Luciana Pimenta
@lulypim

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Aprendizados...





E então a gente (re)aprende: que o incondicional é precioso demais...
Que o mundo não pára para que a gente repita as tentativas.
Mas que, sempre haverá uma nova chance, abstrata, mas existente.
E que, independente de quantas lágrimas alguém nos roube:
Sempre existirá alguém que poderá merecer nosso sorriso...




Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Mundo




Figuras vastas a encantar e a descobrirem-se
As luzes, as cantigas, a comida e o enredo do seu convívio
Pelo homem aprimora-se, ao tempo renova-se no dia seguinte
Juntos, intérpretes da Criação do Universo
E altivos, os signos revivem liberdades e desafios



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vem


Vem, meu bem
Caiba aqui
No meu abraço
Beija aqui
O meu poema
Canta aqui 
No meu desejo
Sopra aqui
Nos olhos meus
Cheira aqui
A alma minha
Vem tão logo
Que é tão breve
O instante todo
Do te encontrar
Pra ser tão meu...

Lai Paiva

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Palavra-ponte

A ponte Donghai, na China. Foto disponível aqui.


Era a primeira vez que me via frente ao abismo.
Perguntaram-me como faria
para...

Não sabia,
mas o ato de questionar-se era ferramenta sob medida.

Era o tempo da construir.

Descobri... e fez-se a luz mais bela.
A redescoberta: a palavra como ponte.

Perante tantas delas,
não houve abismos suficientes para o impedimento da passagem
para todas as idas e para as voltas todas. Para a vida.

Alessandro de Paula
@palavratomica

domingo, 1 de janeiro de 2012

Subterrânea



Na pele carrego palavras que nunca disse
Há afeto que afeta
e nada posso fazer
Senão carregar na pele certas sensações
Talvez algum dia
Submeter-me a uma cirurgia de emergência
O lápis, feito bisturi, rasgará o papel
E me fará esvair em letras...
Até a última palavra
Morrerei vazia
Sem nunca ter dito
O que trago na pele

Desde a alma levei-me nas palavras ausentes
Houve esperas para tocar
E cumprir desejo
Assim traduzi à pele o desejo de ser
Arriscado por começar essa vida
Transparecendo leveza que sempre quis
As pétalas, quase em falta, puderam refazer
Outra forma que não pude ainda.
Todas as palavras
Reviverei preenchida voz
Ao dizer meu desejo
O que a alma levará para a pele



                                                                                                       Mara Cristina Medeiros
                                                                                                       Leonardo Valesi Valente